É costume dizer-se que na vida não há coincidências, apenas alinhamentos: de energias, de vontades, de pontos de vista.

Talvez tenha sido esse o caso de Ricardo de Sá que viu cair-lhe no colo, na sua estreia como actor numa série de televisão juvenil, um papel de um jovem músico. Foi o rigor no seu papel de actor que o levou a aprender bateria, primeiro, surgindo aí uma vontade de expressão que o levou a agarrar a guitarra, logo depois, e a tirar um curso de produção musical. Lá está a tal seriedade que parece investir em tudo aquilo que faz.

Dessa vontade, dessa garra pode dizer-se, nasceram os trabalhos Histórias e Epifania, primeiros passos numa arte que Ricardo de Sá ainda não parou de refinar. Tocou muito ao vivo, aprendendo em directo como gerir emoções e energias e momentos de comunhão - com o público, claro, mas também com os outros músicos. A ambição e o que aprendeu no palco levou-o de volta ao estúdio: pegou em 5 dos temas de Histórias, elaborou novos arranjos com os músicos com quem trabalhava, e gravou ao vivo nove instrumentos, num só take também documentado em vídeo. Se é para saltar, então que seja sem rede...

Agora, com 28 anos, Ricardo de Sá é o primeiro a confessar sentir o peso da bagagem que foi coleccionando no seu percurso de artista como actor, como músico e como autor. Manifesto , o seu novo trabalho, é o resultado de todas essas experiências que foi vivendo: "Sinto que consegui pela primeira vez ser totalmente verdadeiro e transparente, sinto que estou a fazer algo de diferente e que estou a fazer arte", assegura.
"O que me fez escrever e compor estes temas foi a própria vida e ter sentido uma necessidade gigante de manifestar algumas coisas que sentia mas que não tinha outra maneira de as poder exprimir a não ser através da música", prossegue.

Manifesto é um EP que inclui os temas "Arte", "Faz-te Um Homem", "Palavras Por Dizer", "Só Tu Sabes" e "Eu Vou Estar Aqui". Ricardo de Sá aborda o peso dos sonhos, as questões da maturidade, da determinação, da vida e do amor, pois claro, em palavras que exploram métricas mais elaboradas servidas por arranjos arrojados e ambiciosos. São dele a maior parte das letras, nasceram da sua visão os beats que as suportam, trabalhando sempre com alguns amigos, como faz questão de sublinhar, e são dele as ideias de produção que o levaram a experimentar temas com o pitch da voz alterado, com vocoder e talk box, sempre em busca de novos timbres e soluções para transmitir as mensagens que injecta nas palavras.

"Desde que me conheço que sou teimoso, insistente e determinado em querer levar as minhas ideias avante. Acredito mesmo que seja possível ser levado a sério como ator e como músico. Espero que o público goste e que se identifique com a minha mensagem", conclui Ricardo de Sá.

Manifesto é o resultado da ambição de um artista que não teme elevar a sua própria fasquia. Como deve ser sempre."